Em meio a suores gratuitos, paranóias e um silêncio absoluto que era interrompido apenas nos auges de alucinação da personagem Carol, Repulsa ao Sexo impressiona e trás o telespectador pra dentro da tela, inquietando-o e exigindo deste certa maturidade para conseguir acompanhar a narrativa inteira sem interrupções.
Uma garota virgem que convive com mulheres dependentes de relações amorosas, como sua irmã Hélène que mantém um romance com um homem casado, e, além dessa convivência, ainda é cortejada assiduamente por um pretendente que, posteriormente, quando Carol mergulha de vez em sua mente, é morto mecanicamente pela mesma.
Linda e introspectiva, a personagem se tranca num apartamento e começa sua aventura em meio sua repulsa impressionante por homens. Ao lado de um coelho morto apodrecendo na sala e de cadáveres não identificados na sua bolsa, Carol atravessa corredores repletos de mãos tocando-lhe o corpo. Ela vive num tempo próprio, onde o silêncio é constante e os closes em seu rosto suado e seus olhos apáticos são ingrediente essencial para que essa repulsa atravesse a tela.
É engraçado como o início do filme é ilustrado pelos olhos de Carol em seu estado mais ativo, mais conectado à realidade, pois, após a visualização da personagem inteiramente, na primeira cena, começa o grande pesadelo que a encurrala por todos os lados. Estupros silenciosos, acompanhados apenas pelo som do relógio funcionando trazem a tona a prisão que essa viagem interior propicia a Carol.
A atuação de Catherine Deneuve e do diretor Roman Polanski é magnífico. Ela, praticamente muda durante o filme todo, atuou de modo memorável, enquanto Polanski conjugava essa atuação com uma impressionante direção de som, onde o silêncio, na maioria das vezes era a personagem mais importante
Uma câmera lenta e calma, juntamente a imagens preto e branco transmitem a atenção do telespectador para o rosto de Carol sempre com os olhos grandes e bem abertos e com o buço normalmente suado, resultado de suas batalha internas. O apartamento vira um caos, retratando a mente perturbada de sua habitante.
Negar importância de Repulsa ao Sexo para o cinema, principalmente no terror, é um grande erro, sendo esta uma incontestável obra inteiramente sobre o interior do homem, retratando o psicológico, que conseguiu, através da imagem, traduzir paranóias, alucinações e uma mente tomada por repulsas que provavelmente não teria sido retratada tão bem por outro tipo de mídia.

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