domingo, 12 de julho de 2009

CLOSER (Mike Nichols)


Falando de amor (e claro, sexo), Closer retrata o ser humano egoísta vulnerável e cheio de fantasias. Num clima malicioso o filme todo, dois casais se chocam, sendo um deles composto por uma ‘garota’ e um jornalista/escritor, e o outro, por um médico calculista e uma fotógrafa aparentemente muito independente.

Os sentimentos são corroídos pelos amores externos e pelo tempo, e em 4 anos os casais se trocam e destrocam no decorrer dessa trama com um roteiro magnífico no ponto de vista de complexidade das situações que o sexo e a paixão nos coloca, em meio ao orgulho ferido e a tantas vontades reprimidas.

A direção de arte é simples, num cenário urbano, atendo-se exclusivamente à porção dramática do longa, juntamente a uma fotografia inteiramente humanizada. Entretanto, essa escolha do diretor deu grande ênfase às especificidades de cada personagem expostos a paixão, amor, sexo, ou qualquer que seja tais aventuras.

Dan(Jude Law) é o mais sentimental, sensível e romântico de todos, representando o lado mais delicado do homem, enquanto Larry (Clive Owen) é uma pessoa mais fria, calculista, que é orgulhosa e raivosa. Já Alice/Jane Jones (Natalie Portman) é uma garota cheia de traumas em seu passado e independente, e Anna (Julia Roberts) é uma mulher mais madura, apática e sedutora. Cada personagem trata do amor de um modo diferente, e isso que o roteirista soube explorar.

Diálogos geniais, apesar de, algumas vezes, muito surreais, apresentando-se no limite da sinceridade, entretêm o telespectador de modo incrível. O sucesso desse filme se deve muito a esses diálogos atrevidos intimidantes, e ao seu tema central, que é a traição e o sacrifício feito pelo ser humano em busca da felicidade incessante na vida amorosa.

A exposição da porção suja e baixa do homem e da mulher numa relação também é mostrada sem pudores e com uma consciência plena das personagens. Talvez por isso mesmo o filme não apresente cenas de sexo, afinal, este longa inteiro trata disso e este está presente em todas as cenas, na atmosfera básica da trama.

As atuações são muito boas, principalmente de Natalie Portman e de Clive Owen, que chamaram minha atenção, e que, por ironia do destino, ganharam o Oscar de melhores atores coadjuvantes. A impressão que fica é que esse filme é marcante por conseguir ser tão denso sem chocar por meio de nenhuma imagem, apenas por palavras.

2 comentários:

  1. Pelo visto perdermos uma jornalista de primeira. Parabéns pelos textos! Mais do que isso, pela sensibilidade. Você vai muito longe!
    Achei legal você citar que a fotografia é mais humana e a direção de arte é mais simples. Concordo e acho que este é o grande mérito do filme. Não existe nenhuma pirotecnia ou extravagância, todos os elementos agem, sem que o espectador note, para que o foco esteja sempre nos conflitos emocionais e na crueza dos diálogos. Acho este um exercício de direção para poucos.
    Parabéns de novo pelo blog, já coloquei nos meus favoritos! abs!

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  2. own clarinha, como vc eh babaquinha <3

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