Falando de amor (e claro, sexo), Closer retrata o ser humano egoísta vulnerável e cheio de fantasias. Num clima malicioso o filme todo, dois casais se chocam, sendo um deles composto por uma ‘garota’ e um jornalista/escritor, e o outro, por um médico calculista e uma fotógrafa aparentemente muito independente.
Os sentimentos são corroídos pelos amores externos e pelo tempo, e em 4 anos os casais se trocam e destrocam no decorrer dessa trama com um roteiro magnífico no ponto de vista de complexidade das situações que o sexo e a paixão nos coloca, em meio ao orgulho ferido e a tantas vontades reprimidas.
A direção de arte é simples, num cenário urbano, atendo-se exclusivamente à porção dramática do longa, juntamente a uma fotografia inteiramente humanizada. Entretanto, essa escolha do diretor deu grande ênfase às especificidades de cada personagem expostos a paixão, amor, sexo, ou qualquer que seja tais aventuras.
Dan(Jude Law) é o mais sentimental, sensível e romântico de todos, representando o lado mais delicado do homem, enquanto Larry (Clive Owen) é uma pessoa mais fria, calculista, que é orgulhosa e raivosa. Já Alice/Jane Jones (Natalie Portman) é uma garota cheia de traumas em seu passado e independente, e Anna (Julia Roberts) é uma mulher mais madura, apática e sedutora. Cada personagem trata do amor de um modo diferente, e isso que o roteirista soube explorar.
Diálogos geniais, apesar de, algumas vezes, muito surreais, apresentando-se no limite da sinceridade, entretêm o telespectador de modo incrível. O sucesso desse filme se deve muito a esses diálogos atrevidos intimidantes, e ao seu tema central, que é a traição e o sacrifício feito pelo ser humano em busca da felicidade incessante na vida amorosa.
A exposição da porção suja e baixa do homem e da mulher numa relação também é mostrada sem pudores e com uma consciência plena das personagens. Talvez por isso mesmo o filme não apresente cenas de sexo, afinal, este longa inteiro trata disso e este está presente em todas as cenas, na atmosfera básica da trama.
As atuações são muito boas, principalmente de Natalie Portman e de Clive Owen, que chamaram minha atenção, e que, por ironia do destino, ganharam o Oscar de melhores atores coadjuvantes. A impressão que fica é que esse filme é marcante por conseguir ser tão denso sem chocar por meio de nenhuma imagem, apenas por palavras.

Pelo visto perdermos uma jornalista de primeira. Parabéns pelos textos! Mais do que isso, pela sensibilidade. Você vai muito longe!
ResponderExcluirAchei legal você citar que a fotografia é mais humana e a direção de arte é mais simples. Concordo e acho que este é o grande mérito do filme. Não existe nenhuma pirotecnia ou extravagância, todos os elementos agem, sem que o espectador note, para que o foco esteja sempre nos conflitos emocionais e na crueza dos diálogos. Acho este um exercício de direção para poucos.
Parabéns de novo pelo blog, já coloquei nos meus favoritos! abs!
own clarinha, como vc eh babaquinha <3
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