quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Leitor (Stephen Daldry)



Do mesmo diretor de Billy Elliot, O Leitor é mais uma super produção indicada ao Oscar de melhor filme. Tendo como primeiro plano da narrativa o romance cheio de desencontros cmposto por uma mulher que apresenta o dobro da idade de seu parceiro, Michael ou “Kid” como Hanna o chama durante todo o longa.

O filme caminha por vários temas ao longo de suas 3 fases(que já serão abordadas), como a sexualidade, a alienação e até mesmo por questionamentos a cerca dos julgamentos tardios que acontecem apenas em casos especiais sobre as crueldades nazistas da segunda Guerra Mundial. No caso do filme, uma das vítimas sobreviventes ao holocausto havia escrito um livro sobre sua estadia em um campo de concentração alemão e, após o ande sucesso de publicação, seu caso e o de sua família vai a “justiça”, deixando outras atrocidades que aconteceram nos outros campos de concentração e em toda a Alemanha ignorados e/ou esquecidos.

Em sua Primeira fase, amarelada e ensolarada em meio ao verão, Michael conhece Hanna e vive um grande amor com esta mulher, que após certo tempo começou a exigir a leitura de romances todas as tardes antes que suas “rotinas amorosas” começassem. Ele, totalmente inexperiente e inocente, envolve-se intensamente nessa teia de sentimentos construído pelo seu primeiro amor enquanto Hanna, mulher psicologicamente deficiente, incrivelmente sensível, fascinada por narrativas e repleta do espírito pregado pela Indústria que é a sociedade alemã completamente alienadora construída para se reerguer da derrota sofrida na Primeira Guerra Mundial.

Azulada e intensa, a segunda fase se inicia quando Michael está na universidade de direito, onde, por acaso, ele reencontra seu grande e único amor de sua vida enquanto assiste a o julgamento já citado anteriormente. Visto que Michael conhece um segredo que pode diminuir drasticamente a pena que Hanna terá de cumprir na cadeia por ter trabalhado de guarda em episódios de extremo terror, ele entra em grande fase de questionamento e desespero que se finaliza inerte decorrente do rancor, medo e desequilíbrio emocional de Michael.

A transição de atores que interpretam a mesma personagem, Michael no caso, foi simplesmente genial. A passagem de fato ocorre quando a personagem se encontra extremamente inquieto sentado em um trem em movimento que passa em um túnel, escurece a cena, e quando a luz vem novamente iluminar o acento de Michael, Ralph Fiennes, ator que o interpreta em sua fase adulta, se encontra sentado indiferente e apático, como se durante os anos passados, uma certa acomodação tivesse tomado o lugar dos grandes questionamentos que constituíam sua mente na segunda fase, que se encerra aí.

A terceira fase é acinzentada e fosca. Nela que a concretização e a identificação Michael são de fato efetuadas. Isso acontece quando a seqüência mais emocionante do longa entra vai ao ar, ou seja, o momento em que ele grava a leitura dos livros que ele havia narrado para Hanna durante o verão romântico que eles viveram, intercalado com a própria Hnna ouvindo essas fitas dentro da prisão.

Esse amor mal resolvido comprometeu completamente a vida amorosa e social de Michael, que até mesmo com sua filha e família, não conseguia se abrir e se relacionar sem medo e inquietações, mantendo apenas relações superficiais, sem profundidade nenhuma.

Essa obra baseada no livro “Der Vorleser” é bem marcada em função de Michael e suas fases, tanto sentimentais, quanto ideológicas. É impressionante a habilidade para tratar de tantos temas não superficialmente ao longo do filme que o roteirista e o diretor apresentaram. Bem construído, fazendo pequenas referências em cada cena, contando com interpretações geniais como a de Kate Winslet e direções de artes como as de Christian M. Goldbeck e Erwin Prib é uma pena “O Leitor” ter perdido o Oscar para Sumdog Mllionaire.

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